quarta-feira, 17 de junho de 2009

SOU







SOU


Sou a soma das minhas cores,

das minhas dores, dos meus amores.

A soma dos sóis de todos os tempos,

do luar definitivo, doce e lento,

e das estrelas eternas e mutantes.

Sou a soma dos instantes

dos meus anseios

das minhas súplicas, dos meus sonhos,

dos meus pesadelos.

A soma das minhas vidas...

Diversos papéis, corpos, imagens.

A soma de várias línguas e linguagens

e os perfumes todos de todas as flores.

Sou a soma de todas as cores.

Reflexo de todas as paisagens

e águas todas de todos os mares.

Sou a procura desenfreada e louca

por teus olhos, tuas mãos, tua boca.

E te pergunto do mundo onde estou:

Sabes amor, quem sou?





Janete Cortez

PEITO CALADO




Penso-te agora
noite que chega
sonho que acorda
nuvem deserta
estrela morta.
Penso-te segredos
escala de medos
rios, correntes
risos e acenos.
Sou esta dor
sou este amor
sofro e calo.
Em teus desatinos
o meu desafio
de mostrar-te ternura
eterna doçura
do beijo
desejo
jamais alcançado.
Penso-te noite
açoites
no peito calado.


Janete Cortez- 20/08/07
.

SER PÁSSARO


Ser pássaro.
E voar em olhos fixos
asas tenras, livres penas.
Ser pássaro.
E bailar pelo ar denso
esculpindo rotas
modificando a paisagem
do olhar que o espreita
e que sonha um dia
ser pássaro.



Janete Cortez - 05/10/09

sábado, 30 de maio de 2009

UM SEGUNDO






Bastaria um segundo...

Olhar que se cruza

pontas de um laço

que se desfaz.

E o segredo se rompe

revela estrelas caídas

montes perdidos

na paisagem.

Sorriso que encanta

meus olhos de hoje.

Gestos reencontrados

desenhando auroras

no ar abafado do verão.

E bastaria um segundo,

um segundo apenas

para que reconhecesses

essa antiga andarilha.


Janete Cortez

CANÇÃO




Sossega coração, sossega...

Que as asas parecem aladas

mas não são.

Que os sonhos parecem pulsar

mas, ah, não!

Sossega o teu ritmo quente,

sossega a tua lágrima ardente,

que a voz é migalha humana

gritando essa dor que emana

da canção.


Janete Cortez

MARCAS





Ai! Que eu morro
quando afastas de mim
teu olhar
marcado pelo vento,
tuas nuvens de abril
saudosas do amanhecer
eu teus céus
e as tuas sandálias
deixando na terra antiga
as marcas do que eras,
do que és e serás...

Janete Cortez

EVOCAÇÃO

Antibes in the afternoon light - Monet


Tempo que apaga a memória dos errantes!

Cobri com teu manto de névoa os rostos endurecidos

pela dor de não ser antes de tudo,

pela flor que lhes escapa e voa ao vento,

pelo amor que sucumbe e não enviesa ramos

nos corações sem sonhos, sem cores, sem Deus...

Janete Cortez